Até o FMI com cinismo<br>o reconhece…
O director do Departamento de Análise Estratégica e Política do FMI sobre a dívida portuguesa, afirmou: «Não temos um ponto de vista específico sobre Portugal, mas temos uma visão geral: se os países têm um rácio elevado ou se a sustentabilidade da sua dívida não pode ser assumida categoricamente, então a reestruturação da dívida à cabeça é uma solução desejável».
Perante tais declarações que não deixam de evidenciar o cinismo do FMI, ao ex-primeiro-ministro, ao Presidente da República e a outros servidores do grande capital e das estruturas supra-nacionais da União Europeia, que tantas vezes acusaram o PCP de irresponsabilidade por defender a renegociação da dívida, só lhes restaria pedir desculpas ao povo português por, também neste caso, não terem defendido os interesses nacionais.
Por estas e por outras é que o povo, pela luta e pelo voto, derrotou a coligação PSD/CDS e, ao retirar-lhe a maioria absoluta, a deixou sem condições para continuar a governar.
Lutas e votos que também deram expressão a uma inequívoca vontade de mudança de política.
Mudança de política que, para o PCP, entre muitos outros aspectos, passa pela «renegociação da Dívida Pública, com a redução do valor nominal dos montantes em 50% e redução do seu serviço em 75% [o que], tendo em conta que o serviço da dívida pública previsto para 2015 é de 8.886 milhões de euros, (…) significaria pagar apenas 2,2 mil milhões de euros de juros, libertando para investimento público, necessidades sociais e outras despesas do Estado cerca de 6,7 mil milhões de euros (perto do dobro do investimento público realizado em 2014)» (do Programa Eleitoral do PCP).
Perante isto, apetece perguntar: afinal quanto perdeu o País com a deliberada opção do Governo PSD/CDS de não pôr em causa os interesses do grande capital, ao insistir na não renegociação de uma dívida que, como o PCP tantas vezes afirmou e o FMI, com cinismo, agora reconhece, há muito se tornou insustentável?...
Mas, como vale mais tarde do que nunca, seria bom que o actual Governo do PS tirasse desde já as necessárias ilações. E bem sabe que para uma política de defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País nunca lhe faltará o apoio empenhado do PCP.